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Marcio Pires

Jornalismo, Análise Política e Opinião

marciopires.com.br

Projeto na Câmara quer proibir venda de cigarros e vapes para nascidos a partir de 2009

Projeto na Câmara propõe proibir a venda de cigarros e vapes a nascidos a partir de 2009, com aumento progressivo da idade mínima.
Pessoa usando vape

Estabelecimentos comerciais poderão ser proibidos de vender, oferecer ou disponibilizar cigarros, produtos de tabaco e dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como vapes, a pessoas nascidas a partir de 1º de janeiro de 2009. A medida está prevista no Projeto de Lei 1955/2026, em análise na Câmara dos Deputados.

O texto cria uma elevação progressiva da idade mínima para a compra desses produtos. A partir de 2027, o limite deverá subir anualmente, até que, no futuro, a proibição de aquisição alcance todos os consumidores. A proposta tem como objetivo formar uma “geração livre de fumo”, segundo a justificativa apresentada ao projeto.

As informações foram divulgadas pela Agência Câmara. Para entrar em vigor, o projeto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

Como funcionaria a proibição

O projeto abrange produtos de tabaco e dispositivos eletrônicos para fumar, incluindo itens com ou sem nicotina. A regra não se limitaria à venda direta: também seriam proibidas a oferta e a disponibilização desses produtos às pessoas incluídas no grupo definido pela proposta.

O critério seria atualizado todos os anos. Assim, a idade mínima para comprar cigarros, produtos fumígenos e vapes aumentaria progressivamente a partir de 2027. A redação prevê que, no futuro, nenhum consumidor poderá adquirir esses produtos.

A proposta também estabelece consequências para os estabelecimentos que descumprirem a regra. Entre as medidas previstas estão multas em valor suficiente para desestimular a prática, apreensão das mercadorias comercializadas de forma irregular e suspensão do comércio infrator.

Justificativa do autor

Autor do projeto, o deputado Mauricio Neves (PP-SP) afirmou que a iniciativa segue uma tendência mundial inspirada em uma legislação do Reino Unido. Na justificativa, ele disse que a restrição tem como foco a proteção de crianças e adolescentes.

O deputado classificou o tabagismo como um dos maiores problemas de saúde pública do Brasil e citou uma estimativa de cerca de 174 mil mortes evitáveis por ano relacionadas ao problema. Ele também afirmou que o comércio de cigarros eletrônicos cresceu muito no país, apesar de ser proibido.

Segundo Mauricio Neves, o aumento do uso de tabaco entre jovens é a principal preocupação porque pode funcionar como porta de entrada para a dependência de nicotina. “Por isso não há o que esperar, razão pela qual espero a rápida aprovação”, declarou o deputado, conforme a Agência Câmara.

Próximas etapas na Câmara

O Projeto de Lei 1955/2026 será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Defesa do Consumidor, de Saúde e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

A tramitação conclusiva nas comissões prevê que o texto seja examinado nesses colegiados antes de seguir para as etapas seguintes. Para se tornar lei, porém, a proposta ainda terá de ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

Até a eventual aprovação e sanção, as regras previstas no projeto não alteram a situação jurídica descrita na proposta. O texto continua em análise no Legislativo, e as punições para estabelecimentos só poderiam ser aplicadas caso a medida fosse convertida em lei.