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Marcio Pires

Jornalismo, Análise Política e Opinião

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INPC registra deflação de 0,01% em julho e acumula alta de 4,10% em 12 meses

INPC registra deflação de 0,01% em julho, acumula 4,10% em 12 meses e influencia reajustes de salários, benefícios e valores do INSS.
Cesta de compras e balança ilustram o INPC registra deflação 01 e a alta acumulada no orçamento.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou deflação de 0,01% em julho. Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,10% nos 12 meses encerrados no período e avanço de 3,5% no ano de 2026.

A deflação significa uma queda média dos preços considerados no cálculo do índice. Segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11), a última vez que o INPC havia apresentado resultado negativo foi em agosto de 2025, quando recuou 0,21%.

O resultado tem relevância para trabalhadores e beneficiários porque o INPC é utilizado como referência para a correção anual de salários de diversas categorias. O índice também participa do cálculo de reajustes de benefícios e de valores ligados à Previdência Social.

INPC e IPCA tiveram resultados diferentes

O IBGE informou ainda que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,07% em julho. No acumulado de 12 meses, o IPCA alcançou 4,44%.

De acordo com o instituto, o resultado do IPCA foi influenciado pelo recuo no custo dos alimentos. Apesar de medirem a variação de preços, os dois índices têm abrangências diferentes e são calculados com pesos distintos para os grupos de produtos e serviços.

O INPC acompanha a variação de preços para famílias com renda de um a cinco salários mínimos. Já o IPCA considera lares com renda de um a 40 salários mínimos. O salário mínimo informado na fonte é de R$ 1.621.

Como os índices são calculados

O INPC apura os preços de 367 produtos e serviços, chamados de subitens. Esse número é dez menor que o conjunto considerado no IPCA.

Os grupos pesquisados têm pesos diferentes em cada índice. No INPC, os alimentos representam cerca de 25% do resultado, enquanto no IPCA correspondem a aproximadamente 21%. A diferença ocorre porque as famílias de menor renda destinam proporcionalmente uma parcela maior do orçamento à alimentação.

Na composição do INPC, o preço das passagens de avião, por exemplo, tem peso menor do que no IPCA. A estrutura de pesos busca refletir os padrões de consumo das famílias incluídas em cada faixa de renda.

A coleta de preços do INPC é realizada em dez regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. A pesquisa também abrange Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

Impacto sobre salários e benefícios

O acumulado móvel de 12 meses do INPC costuma ser usado no cálculo do reajuste salarial de diversas categorias ao longo do ano. Por isso, a variação do índice pode influenciar negociações e correções aplicadas a trabalhadores que têm seus rendimentos vinculados ao indicador.

O salário mínimo, por exemplo, considera o resultado do INPC de novembro em seu cálculo. Já o seguro-desemprego, o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os benefícios de pessoas que recebem acima do salário mínimo são reajustados com base no INPC acumulado até dezembro.

Segundo o IBGE, o objetivo do índice é corrigir o poder de compra dos salários por meio da medição das variações de preços da cesta de consumo da população assalariada de menor rendimento.

Com a deflação de julho, o INPC ficou praticamente estável no mês, mas ainda registra alta acumulada de 4,10% em 12 meses. Esse período acumulado é uma das principais referências para reajustes que ocorrem em diferentes momentos do ano.