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Marcio Pires

Jornalismo, Análise Política e Opinião

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Amcham pede diálogo e recomenda evitar retaliação do Brasil contra tarifas dos EUA

Amcham pede diálogo entre Brasil e EUA e recomenda evitar retaliação contra tarifas americanas para reduzir riscos a empresas, consumidores e investimentos.
Imagem 3D de negociação entre Brasil e EUA, com barreira tarifária e ponte, em referência à Amcham

A Câmara Americana de Comércio no Brasil, a Amcham, defendeu que o Brasil evite adotar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta às tarifas impostas sobre exportações brasileiras. A entidade pediu a intensificação do diálogo de alto nível e das negociações entre os dois governos.

O posicionamento foi divulgado após o governo federal anunciar, na quinta-feira (13), a abertura formal do processo para avaliar uma possível resposta com base na Lei da Reciprocidade Econômica. A abertura não representa uma decisão imediata pela aplicação de contr tarifas ou de outras medidas contra produtos norte-americanos.

Segundo a Amcham, o governo deve analisar os efeitos das tarifas e conduzir a estratégia com equilíbrio, moderação e participação do setor empresarial. A organização reúne empresas brasileiras e norte-americanas interessadas em relações comerciais conjuntas.

Processo ainda está em fase de análise

Com a abertura do processo, o governo brasileiro iniciou uma avaliação formal para verificar se as medidas adotadas pelos Estados Unidos justificam a aplicação das respostas previstas na legislação nacional. Ainda não foi anunciada a adoção de tarifas brasileiras ou de outras ações de retaliação.

A Amcham considera que o momento exige a busca de uma solução negociada para reduzir a sobretaxação e evitar novas restrições comerciais. Para a entidade, uma reação baseada na reciprocidade pode ampliar os efeitos econômicos e políticos da disputa entre os dois países.

“A Amcham considera que a adoção de eventuais contramedidas deve ser evitada, diante do considerável risco de elevar custos para empresas e consumidores, afetar cadeias produtivas e investimentos e levar a uma escalada comercial e política na relação com os Estados Unidos, reduzindo o espaço para o diálogo e tornando mais difícil alcançar uma solução negociada”, afirmou a entidade em nota.

Pesquisa mostra preferência por negociações

De acordo com a organização, uma pesquisa realizada com empresas mostrou que 90,5% defendem o diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos. Apenas 3,2% dos participantes apoiam a adoção de medidas de reciprocidade.

Na avaliação da Amcham, os dados reforçam a preferência do setor empresarial por negociações e por uma condução cuidadosa da relação comercial. A entidade também considera fundamental que as empresas sejam ouvidas na análise dos impactos de qualquer medida que venha a ser considerada pelo governo brasileiro.

A participação empresarial, segundo a organização, permitiria avaliar possíveis efeitos sobre custos, cadeias produtivas e investimentos antes de uma eventual decisão. A entidade não informou outros detalhes sobre a pesquisa além dos percentuais divulgados.

Ministério da Fazenda ouvirá empresários

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que ouvirá empresários brasileiros e estrangeiros sobre os possíveis impactos da aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta às tarifas norte-americanas.

A iniciativa indica que a análise do governo deverá considerar as consequências das medidas para diferentes setores envolvidos nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O processo aberto nesta quinta-feira será usado para avaliar se as condições previstas na legislação brasileira estão presentes.

Enquanto essa avaliação estiver em andamento, a Amcham defende que os canais diplomáticos e comerciais permaneçam como principal caminho para reduzir as restrições. Para a entidade, evitar uma escalada pode preservar o espaço para negociações entre os dois governos.