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Marcio Pires

Jornalismo, Análise Política e Opinião

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Milhas aéreas poderão ser trocadas por dinheiro? Projeto aprovado na Câmara cria regras para venda, transferência e conversão de pontos

Projeto aprovado na Câmara cria regras para venda, transferência e conversão de milhas aéreas em dinheiro; texto ainda será analisado pelo Senado.
Uma vista aérea tirada da janela de um avião mostrando uma asa de avião branca e cinza no canto superior esquerdo. Abaixo da asa, grandes massas terrestres verdes e marrons são visíveis, cercadas pelo oceano azul. O céu acima é um azul profundo com uma pequena formação de nuvens brancas sobre as massas terrestres. O sol está brilhando do lado direito da imagem.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (13) o Projeto de Lei 3083/26, que estabelece regras para o funcionamento de programas de fidelidade e para a comercialização de pontos e milhas. A proposta trata de venda, transferência e troca desses ativos por dinheiro.

O texto determina que as empresas só poderão restringir a venda de milhas pelos clientes se oferecerem uma alternativa oficial para a conversão direta dos pontos em dinheiro. A proposta ainda será analisada pelo Senado.

De acordo com as informações divulgadas sobre a aprovação, a medida busca regular a relação entre consumidores e empresas que administram programas de fidelidade, especialmente nos casos em que pontos ou milhas são adquiridos mediante pagamento.

Restrições ficam condicionadas à conversão em dinheiro

O projeto estabelece que, quando não houver uma opção de troca dos pontos por dinheiro, o programa ficará proibido de impor qualquer restrição à venda ou à transferência das milhas pelos clientes.

Nessas situações, a empresa não poderá bloquear contas, limitar a quantidade de beneficiários nem exigir reconhecimento facial, também chamado de biometria, para o resgate de produtos e passagens.

A proposta também prevê que, se a empresa vender, direta ou indiretamente, pontos, milhas ou equivalentes mediante pagamento em dinheiro, deverá garantir ao cliente a possibilidade de transformar esses ativos novamente em dinheiro.

A conversão deverá ser realizada por uma empresa independente. Para atuar nessa operação, a empresa precisará ter pelo menos sete anos de experiência e não poderá manter vínculo com companhias aéreas ou bancos.

Projeto divide programas em duas categorias

O texto aprovado classifica os programas de fidelidade em dois tipos. Os programas de benefícios são aqueles que não permitem a troca dos pontos por dinheiro. Já os programas transacionais oferecem essa possibilidade de conversão.

A classificação deverá considerar a realidade econômica efetiva do programa, e não apenas o nome ou o rótulo utilizado pela empresa. Com isso, a forma como o serviço funciona terá mais importância do que a denominação adotada em contratos ou materiais de divulgação.

Segundo o autor do projeto, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), a intenção é equilibrar a relação entre empresas e clientes. Na avaliação do parlamentar, não seria adequado permitir que uma empresa lucre com a venda de pontos e, ao mesmo tempo, impeça o consumidor de dispor livremente do que adquiriu.

“Cria-se um monopólio econômico sobre a conversão de um ativo que o próprio consumidor adquiriu mediante pagamento: pode-se comprar, mas não se pode dispor livremente”, argumentou Ayres.

Mercado secundário e práticas abusivas

O projeto define como prática abusiva qualquer conduta destinada a impedir, restringir, falsear ou esvaziar o funcionamento regular do mercado secundário de pontos, milhas ou equivalentes.

A regra alcança exigências tecnológicas, contratuais, operacionais ou procedimentais consideradas desproporcionais. A previsão inclui mecanismos que, na prática, dificultem a venda ou a transferência dos pontos quando o programa não oferecer a conversão direta em dinheiro.

O relator da proposta, deputado Paulo Soares (Pode-SP), recomendou a aprovação sem alterações. Segundo ele, as regras dão mais clareza às relações econômicas envolvendo programas de fidelidade, principalmente quanto à liquidez, à comercialização e à transferência de pontos e milhas.

“As regras propostas conferem maior clareza às relações econômicas envolvendo programas de fidelidade, especialmente em relação à liquidez de pontos e milhas e à sua comercialização e transferência”, observou o relator.

Próximas etapas

Após a aprovação pela Câmara, o PL 3083/26 será encaminhado ao Senado Federal. Para se tornar lei, o texto ainda precisa ser aprovado pelos senadores e sancionado pelo presidente da República.

Até a conclusão dessas etapas, as novas regras previstas no projeto ainda não entram em vigor. A proposta poderá ser analisada pelos senadores conforme o processo legislativo aplicável.