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Marcio Pires

Jornalismo, Análise Política e Opinião

marciopires.com.br

Mulheres são maioria no setor de seguros, mas ocupam menos de um terço da gestão executiva

Mulheres são 54,4% da força de trabalho em seguros no Brasil, mas ocupam só 28,5% da gestão executiva e 18,5% dos conselhos.
mulheres em um escritório trabalhando

As mulheres são maioria entre os profissionais do mercado de seguros e de previdência privada aberta no Brasil, mas perdem espaço à medida que avançam na hierarquia das empresas. Elas representam 54,4% da força de trabalho, porém ocupam 28,5% dos cargos de gestão executiva e apenas 18,5% das vagas em conselhos de administração.

O levantamento também aponta que a participação feminina como titular de seguros e de planos de previdência privada aberta é inferior à dos homens nos segmentos analisados. O cenário indica que a presença das mulheres ainda não se converteu em maior representação nos postos de decisão nem na contratação dos produtos do setor.

Os dados fazem parte da primeira edição da pesquisa FeMa Meter, divulgada pela Superintendência de Seguros Privados, a Susep. O estudo reúne informações de 142 empresas supervisionadas pela autarquia e tem o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a participação feminina no mercado securitário.

Distância entre presença profissional e liderança

A pesquisa mostra um desequilíbrio entre a participação feminina no quadro de funcionários e o acesso aos níveis estratégicos de comando. Embora as mulheres formem a maior parte da força de trabalho das empresas participantes, sua presença diminui nos cargos com maior poder de decisão.

Na gestão executiva, elas representam 28,5% dos ocupantes. A proporção é ainda menor nos conselhos de administração, onde as mulheres estão em 18,5% das vagas. Os números evidenciam que a maioria registrada entre os trabalhadores não se repete nas estruturas de liderança das companhias.

O levantamento da Susep foi concebido para mapear a presença feminina em duas dimensões do setor: como profissional e como consumidora de seguros e de planos de previdência privada aberta. A iniciativa deverá servir de base para a formulação de políticas públicas voltadas à inclusão no mercado securitário.

Mulheres também contratam menos produtos

Além da situação no ambiente de trabalho, a pesquisa analisou a participação das mulheres como titulares de produtos de seguros e de previdência privada aberta. Nos segmentos avaliados, a presença feminina ficou abaixo da masculina.

A Susep destaca que compreender esse comportamento é importante para ampliar a inclusão securitária e desenvolver produtos mais adequados ao perfil das consumidoras. As informações adicionais foram coletadas em planilhas elaboradas pela própria autarquia, com dados sobre seguros de automóveis, seguros residenciais e previdência privada aberta.

O material, portanto, aborda tanto a ocupação de espaços dentro das empresas quanto o acesso das mulheres aos produtos oferecidos pelo setor. A combinação dos dois recortes permite observar diferenças na participação feminina como trabalhadora e como consumidora.

Metodologia e empresas participantes

Os dados têm como referência 31 de dezembro de 2024 e foram enviados por 142 empresas supervisionadas pela Susep. Desse total, 129 são seguradoras e 13 são entidades abertas de previdência complementar.

Para realizar o levantamento, a autarquia utilizou a ferramenta FeMa Meter, desenvolvida pela Access to Insurance Initiative. A organização internacional sem fins lucrativos foi criada para promover a inclusão em seguros, especialmente em países em desenvolvimento e mercados emergentes.

As informações foram complementadas pelas planilhas da Susep e passaram por etapas de validação. A autarquia também comparou os dados com outras bases antes de consolidar os resultados da pesquisa.

Estudo integra plano regulatório de 2025

A pesquisa faz parte do Plano de Regulação da Susep para 2025 e integra as iniciativas da autarquia destinadas à produção de informações sobre o mercado de seguros. Segundo o órgão, o objetivo é contribuir para políticas públicas que estimulem um mercado mais inclusivo.

O relatório busca oferecer uma visão mais detalhada sobre a participação feminina no setor, considerando as diferenças entre a presença nas empresas e a contratação de produtos. O documento completo da pesquisa FeMa Meter está disponível no portal da Susep.